Projecto Casalata promove acesso à habitação na Praia e Mindelo (com FOTOS)

Projecto Casalata promove acesso à habitação na Praia e Mindelo (com FOTOS)

Três arquitectos portugueses estão empenhados em promover o acesso à habitação digna e planeamento sustentável de combate à pobreza e exclusão social em Cabo Verde, tendo lançado um projecto para tornar reais as suas ideias: o Casalata Cabo Verde.

Este projecto de investigação iniciou-se com uma curta-metragem realizada para a pós-graduação em cinema do M_EIA, o Instituto Internacional de Arte, Tecnologia e Cultura de Mindelo, e debruçou-se depois na problemática do défice habitacional e carências dos bairros espontâneos de lata.

“[Mais tarde], o projecto evoluiu para uma estratégia arquitectónica viável, com capacidade de acção imediata no panorama da escassez da habitação em Cabo Verde”, explicou ao Green Savers Lara Plácido, arquitecta e coordenadora do Casalata.

Em Cabo Verde, o problema da falta de habitação “não se irá resolver de um dia para o outro”, sendo que as famílias alojadas nas casas de lata “continuarão a viver em condições desumanas por tempo indeterminado”, de acordo com a arquitecta portuguesa. Isto acontecerá “ mesmo que todos os esforços governamentais se concentrem nesta problemática”.

“Este projecto tem como objectivo primordial melhorar as condições de habitabilidade das famílias mais desfavorecidas, tal como um planeamento urbano, capaz de facultar uma vida mais digna”, continuou Lara Plácido.

E se Cabo Verde apresenta um crescimento económico assinalável nos últimos anos, que traduz em grande parte a forte aposta no sector turístico e imobiliário, verifica-se “um desenvolvimento acima de tudo quantitativo e não qualitativo”.

“O padrão de crescimento turístico/urbano cabo-verdiano baseia-se no modelo aplicado na costa mediterrânea europeia, que outrora atingiu o auge e actualmente sofre um declínio acentuado, reflectindo o crescimento abrupto insustentável, a ausência de qualidade das construções e do planeamento urbano”, segundo a coordenadora do projecto.

Praia e Mindelo são, por isso, as cidades que apresentam o maior défice habitacional, resultado do elevado custo da construção, a inflação na habitação e nos terrenos destinados ao mesmo uso que, juntamente com o desemprego existente, impossibilitam a compra ou arrendamento de uma casa, incitando o aumento da construção ilegal, na maioria das vezes a única opção das famílias carenciadas terem um abrigo para sobreviver.

“A realização da curta-metragem Casalata proporcionou-nos um contacto profundo com a dura realidade enfrentada pelos moradores das casas de lata/tambor. As condições desumanas encontradas nestes espaços, intensificada pela marginalidade sentida por quem não tem outra opção e vive na ilegalidade, levou a estruturar uma linha de acção dividida em três momentos”, explica Lara.

Assim, num primeiro momento, o objectivo é efectuar um levantamento dos métodos construtivos e da organização social deste processo urbano e enumerar os aspectos positivos encontrados, reutilizá-los como uma ferramenta válida na evolução do projecto de habitação social.

Numa segunda fase, os responsáveis irão sugerir pequenas intervenções económicas que irão assegurar melhores condições de vida às famílias. Questões como o conforto térmico, ventilação dos compartimentos e iluminação dos mesmos podem ser significativamente mais eficazes.

Finalmente, serão desenvolvidos projectos de habitação social sustentados pelo conhecimento retido ao longo deste caminho. “Este terá como estrutura base estratégias bioclimáticas e a educação habitacional e urbana, que consideramos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde”, concluiu a arquitecta.

Para além de Lara Plácido, o projecto conta com a colaboração de Ângelo Lopes e Helena Gomes.

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