Ondas de calor podem diminuir cultivo de alimentos

Ondas de calor podem diminuir cultivo de alimentos

As ondas de calor podem desestabilizar o abastecimento de alimentos no mundo, por afectarem as plantações de milho, trigo e soja, constatou um estudo publicado no Environmental Research Letters.

Este estudo foi o primeiro a estimar o impacto do aumento de temperatura e da emissão de dióxido de carbono nestas culturas.

Pesquisas recentes sobre o assunto já mostraram, por exemplo, que as mudanças climatéricas podem reduzir a produção de milho numa escala global, mas nenhuma havia calculado os efeitos das ondar de calor, que, de acordo com o novo estudo, podem dobrar as perdas na colheita.

No novo estudo, os investigadores simularam 72 mudanças climatéricas que poderiam ocorrer no século XXI – com ajuda do software Pegasus – e observaram qual seria a produtividade das plantações em cada uma das condições.

“As temperaturas extremas podem afectar todas as fases do plantação, mas principalmente o período de floração da planta”, disse a coordenadora da investigação, Delphine Deryng, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. A responsável acrescentou que, “nesse estágio, as temperaturas extremas podem levar à esterilidade do pólen e à redução da produção de sementes, diminuindo a produtividade da plantação.”

A pesquisa também identificou as áreas em que as ondas de calor seriam esperadas e onde causariam maiores danos à colheita e verificaram que algumas das áreas mais afectadas são cruciais para a produção agrícola, como o cinturão do milho nos Estados Unidos, de acordo com o Planeta Sustentável.

“Políticas para controlar as mudanças climáticas podem reduzir os riscos de ocorrer calor extremo que ameaça as culturas mundiais”, disse Delphine.

Para avaliar os resultados, os cientistas descartaram o efeito da fertilização por gás carbónico, que consiste em aumentar de 40 a 50% os níveis do gás em áreas delimitadas de plantação. Isso pode ajudar as plantas a gerir melhor o uso da água e a desenvolver uma maior tolerância aos períodos de seca.

O processo deverá ser bastante utilizado futuramente, e reduzirá as perdas no caso da soja e do trigo, dizem os investigadores.

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